Nicholas Sparks é um fenómeno de vendas mundial
maio 16, 2019 Um final de tarde de outono
perfeito, famílias felizes e expectantes, muitos sorrisos ao longo da
extensa mas ordeira fila, composta essencialmente por mulheres de todas
as idades um cenário que bem poderia ter sido descrito num dos livros
de Nicholas Sparks. E, quase sem atrasos, a ordeira fila ordeiramente
entrou, enchendo primeiro o piso térreo onde durante décadas esteve
exposta a coleção de coches do Museu, e depois, por falta de espaço,
as galerias.
Nicholas Sparks já leva vinte anos disto e isso é transparente na
forma lida com estes banhos de gente. Até porque há duas décadas
estreou-se logo com uma bomba de vendas “The Notebook” (em Portugal,
“O Diário da Nossa Paixão”), ainda hoje tido como um dos seus títulos
mais populares. Antes disso, já tinha escrito dois livros que ficaram na
gaveta: o primeiro aos 19, o segundo aos 22 anos.
Depois do primeiro bestseller a história repetiu-se anualmente, com o
escritor a lançar 21 livros nos últimos 21 anos. A métrica que impôs a
si próprio é simples: passa seis meses a escrever e os seis seguintes a
promover a obra e a alinhavar a próxima. E nesta roda de hamster o
animal mais mencionado no último livro continua a pedalar com a mesma
cadência que já o transformou em multimilionário.
Mas não importa o quão famoso se tenha tornado, ou quantos livros já
tenha vendido as últimas estimativas apontam para 108 milhões, o
norte-americano está e sempre esteve bem ciente de que são os fãs os
principais culpados deste sucesso que já fez com que as suas obras
estejam traduzidas em mais de cinquenta línguas. E foi a eles que
dedicou o último livro, “Só Nós Dois”, que o trouxe a Lisboa.
Sparks é uma máquina de vendas infernal. Sabe que não basta contar
uma história as suas têm sempre o amor como linha condutora e não
tem problemas em admiti-lo. E é por não descurar a força do marketing
que livro após livro todos os seus livros são bestsellers do New York Times
continua a reservar parte do seu ano na promoção, que considera quase
tão importante como o ato de escrever em si. Por isso, voltou a
Portugal, um mercado que o adora, para promover o seu último livro.
Assim, voltamos ao sítio e à hora em que começámos: sábado à tarde e
um Picadeiro Real cheio de gente – fãs, verdadeiros fãs, não curiosos.
Afinal, trata-se do escritor estrangeiro que mais vende no país.
Popularidade atestada pela dimensão da fila em que não era raro
encontrar casais com bebés ao colo.
0 comentários